André Marques, o próprio.

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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

A masturbação do amor contrário


”Não há dor maior do que a dor de um amor não correspondido.”Dilsin Alves

“ Adoro o André, mas preciso de um tempo para pensar…”

A sociedade portuguesinha vive inundada de locuções estereotipadas. Como tal, embaralhadas, fazem com que algumas criaturas ineptas não saibam aquilo querem para si, ou para a vida. Se averiguarmos bem este tipo de racionalismo, entendemos que o calor pode mesmo levá-las à interrupção cerebral. Se optarmos por falar em narrações íntimas ou analogias comparadas, a palavra“Indecisão” ganha ainda mais autenticidade. Como se de uma erudição se tratasse.

Indecisão. Perplexidade. Irresolução. Hesitação. A aptidão para a irracionalização no amor passa, miseravelmente, pelas incertezas jesuítas, esperanças ambíguas, e promessas inglórias que não levam a lado algum.

“Adoro o André, mas preciso de um tempo para pensar…”

Maria é a autora da mirabolante frase que tem servido de mote ao longo da presente crónica. Apesar de ser uma mulher que se acha sempre em primeiro lugar, e progenitora de Jesus, se depurarmos um pouco a lógica, inadvertidamente chegamos à básica questão: Se a pessoa não vai à sua vida, é porque gosta ou nutre algum tipo de sentimento pela outra pessoa.Extraordinário. Mas até aqui tudo bem. Então, mas se estima tanto como afirma, porque não decide avançar e respirar a relação de pulmões arejados, limpos, assumindo a verdade e cumplicidade absolutas.

O medo de ficar sem água no oceano fá-la preferir a banheira seca, arranhada e sem culpas aparentes. A outra pessoa, finoriamente, absorve o sentimento desrespeitoso, o uso desmedido, o medo de rebentar a corda e perder a hipótese de conseguir dar-lhe o nó definitivo. O tom de voz, neste tipo de situações, tende a ser elevado. Gritante. Desesperante. Encoleriza a possibilidade severa, dolorosa de um dia alcançar a felicidade.

“Adoro o André, mas preciso de um tempo para pensar…”

Muitas mulheres – aquelas sentimentais –, apenas têm no coração a comissão aflitiva, o fantasma da insegurança, o fraco sangue. A instabilidade, particularmente. Mas não só das mulheres vive o mundo. Há homens que também sentem e comportam-se da mesma forma. Coitados. É verdade que quem ama quer ser amado. E quando não existe gratificação, os miolos dão lugar a outros infortúnios menos próprios.

Querer manter uma ligação afetiva sem encarregá-la é um claro sinal de extrema privação e desconsideração para com a outra criatura de Deus. Para Maria, comportar-se como uma adolescente superficialmente destemida, e que supõe que a vida estagna aos vinte e cinco anos, é perfeitamente normal, assim como sugar o amor alheio para compensar as suas próprias inquietações, indolências e medos. Solidão. Um tema meramente cobarde.

“Adoro o André, mas preciso de um tempo para pensar…”

Homens como o André dissimulam por amor não condigno, e produzem uma dor que médico nenhum pode alijar. Não magoar, não provocar e não acatar a provocação, são intensos compromissos que os homens devem ter em consideração quando decidem amar uma mulher. A grande responsabilidade. Compromisso de amor. O amor-próprio. Mas cuidado, o amor deve levar ao aperfeiçoamento, tornar as pessoas convenientes, corrigidas, sensatas. Devemos piratear os cd´s e não o amor.

Para todos aqueles que não sabem amar ou que simplesmente não estão para aí virados; se não estiverem calibrados para o marmanjo do amor, sejam do tamanho do vosso corpo o suficiente para receberem o cargo de maçaricos, sem impetuosidades e escolhas irrefletidas. Esta simples crónica serve também para os restantes que são perfeitamente capazes de assumir um compromisso da cabeça aos pés, passando pelo coração, obviamente. Façam um favor a vocês mesmos; reneguem a imaturidade. Não tenham medo de ser felizes e ter a cabeça no posicionamento correto.

O medo é o maior inimigo da estabilidade e o melhor amigo da insegurança.

O medo tem a mania de se expressar de formas distintas. Não permitam que ele vos sorva o sangue, seja de que maneira for.

Com diz Charles Chaplin “A vida é maravilhosa se não se tem medo dela”

Quando abri os olhos para o mundo, dentro da minha caixa cerebral começou a desenvolver-se uma espécie de palavra que só ao fim de um tempo de a ter descoberto, é que soube o seu significado. Valores. Foi esta a palavra que entrou a ferros dentro da minha humilde, e por vezes desconcertante, personalidade. Não é fácil articular as coisas que nos elevam interiormente, principalmente quando à nossa volta existe tanta hipocrisia, falta de amor-próprio, e, sobretudo, egoísmo. Ao longo da vida aprendi a respeitar a existência do ser humano, vendo-o como um instrumento indispensável para o exímio funcionamento da sociedade.

Se o egoísmo não existisse, o amor seria tudo menos impossível. Pode parecer confuso, mas a vida é ilógica, e disso, ninguém pode duvidar.

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